01 novembro 2005


Cabe acreditar que um ocidental racionalista do século XXI vê neste detalhe o mesmo sentido que lhe davam os contemporâneos do seu criador?
Faça-se agora aqui um interlúdio para falar de Budismo Zen, a seita budista com maior influência na arquitectura japonesa.
O budismo foi oficialmente aceite no Japão no ano de 594, pelo príncipe Shotoku. O Budismo Zen torna-se preponderante no Período Kamakura (1185-1392), dominado pelo poder da classe militar (os samurai) com o shogun no cume do poder temporal (o imperador era um deus-vivo meramente decorativo).
O Budismo Zen substituiu os rituais intrincados e apalaçados (que agradavam aos cortesãos) pela austeridade, simplicidade, controlo do corpo e da mente (que os samurai consideravam mais convenientes). Com o Zen, o jardim deixa de ser um lugar para deliciar os sentidos (o que convinha aos cortesãos como lugar de ócio culto, onde se podia por exemplo ler e escrever poesia) e passa a desempenhar um papel na via para a iluminação. O jardim é um apoio à meditação.

[Uma leitura conveniente para compreender a relação entre história, cultura e jardins no Japão é, de Marc Treib e Ron Herman, A Guide to the Gardens of Kyoto, da editora Kodansha International.]