
Gueixas...ou não.
«Mas o que são as geisha? [...] São em geral filhas de lares de miséria extrema, e receberam do destino o privilégio de haverem nascido gentis, bonitas, cativantes. Qualquer indivíduo [...] adquire-as, ainda crianças, por adopção ou outro meio. As geisha começam então a receber, pouco a pouco, lentamente, uma educação particularíssima, complicadíssima e em parte delicadíssima; aprendem a tocar na perfeição um instrumento indígena, pelo menos, aprendem a cantar, aprendem a dançar, aprendem a vestir-se ricamente, de sedas magníficas, aprendem a ser agradáveis aos homens, quando convivas em banquetes, nas chaya (casas de chá), onde elas serão chamadas, pagas a tanto por cada hora, servindo então os mesmos convivas [...], enchendo-lhes de saké [...] as pequenas taças de porcelana, e finalmente tornando aprazível o tempo que decorre, mercê do seu papear gracioso, dos seus gestos - todos arte e gentileza -, das prendas que exibem - música, dança, canto -, tudo coroado pelo esplendor da sua beleza emocionante. Nada mais, e nada menos. Descer, ou subir a intimidades mais flagrantes, é-lhes defeso, pelos regulamentos da polícia e outras medidas. No Japão, em todas as classes sociais, ainda as mais distintas, quando se oferece um jantar a amigos, na chaya, é da praxe mandar chamar as geisha [...].»
(Wenceslau de Moraes, Relance da Alma Japonesa, 1926, p. 84 da edição Vega de 1999)